Aqui fica um dos melhores textos que já li sobre o que se passa com as mulheres durante um período do ciclo menstrual:
Está no Blog "Controversa Maresia" em Link no título,
Progesterona Rules!Uma semana antes, transformamo-nos assim numa espécie de kim jong-Ilzinhas, prestes a despejar as nossas ogivas nucleares shocking pink sobre a humanidade em geral só porque alguém se atreveu a sussurrar que somos curtas de perna. Ficamos ditadoras loucas. Poderosíssimas e insanas. Tão depressa somos capazes de matar o povo que nos rodeia, à fome, como de lhe atirar rebuçados ao pés, por entre soluços de dó que nos turvam os sentidos.
Quando chega o dia propriamente dito, rebolamo-nos que nem croquetes fotofóbicos, afogamo-nos em trifenes num quarto escuro e entregamo-nos às cãibras, essas guinadas simpáticas que mais parecem pontapés certeiros de Deus Nosso Senhor, apostado em relembrar-nos a cada vinte e oito dias que a mancha do pecado original a nós se deve.
Debalde perguntamo-nos por que becos e vielas do corpo da nossa mãezinha terá andado o cabrão do cromossoma Y, para se ter perdido no exacto dia em que fomos concebidas.
Na semana que se segue, a puta da retenção de líquidos faz com que pareçamos aquários ambulantes a despejar devagarinho, com uma fuga algures lá no meio.
Como uma desgraça nunca vem só, ao fim de alguns dias estamos enxutas, espernéticas, energéticas e prontas a acasalar com qualquer macho sem evidentes deficiências físicas, desde o trolha da esquina ao engenheiro Macário Correia, cujas imagens (vagamente desfocadas pelo poder impressionista da progesterona) nos surgem como hipóteses aceitáveis para a multiplicação da espécie humana.
O nosso amigo cio, sempre divertido, esse ganda maluco, tilinta-nos aos ouvidos que o ovolozinho está maduro, que já caiu e que está a chegar, como uma pêra fresquinha numa camioneta de caixa aberta a caminho do mercado abastecedor da região de Lisboa.
De ventas coladas ao chão, farejamos os trilhos deixados pelos pobres machos incautos e saímos atrás deles, tratando de assegurar que estejam à porta quando o supermercado abrir, já com a pêrazinha em exposição, reluzente e chamativa.
Nos poucos dias em que dura este estado de exultação física, a prioridade é apanhá-los a jeito e não ter medo de utilizar drogas, algemas ou mesmo as descrições eróticas do Paulo Coelho, porque para a propagação urgente da espécie vale tudo, até tirar olhos (apêndices que, no caso, se mostram dispensáveis). Quem tem marido, namorado ou equivalente pode saltar a fase da escolha ou do un-dó-li-tá e aterrar logo em cima do dito, assim tipo medalha de ouro na modalidade estafetas.
Chegada a terceira semana (que é também a que antecede a primeira), estabilizamos os níveis e ficamos quase, quase, serenas e é então que devemos aproveitar para pedir perdão ao nosso semelhante, devolver as coisas roubadas e pagar os estragos e as contas de hospital. A ideia é mostrarmo-nos encantadoras e equilibradas, impingindo aos outros o nosso efémero EU cor-de-rosa, feminil, carinhoso e sensato. Há que mimar com empenho e desinteresse os nossos homens, provando-lhes que eles são algo mais para nós do que repositórios gigantes de espermatozóides sub-aproveitados, e acarinhar igualmente os amigos e restante família, tentando convencer todos eles de que, afinal, apesar do que possamos fazer ou dizer numa semana em cada quatro, não queremos nada que eles morram todos por asfixia com um penso higiénico entalado na garganta, até porque gostamos muito deles.
Portanto, a bem dizer, só temos uma semana, mais coisa menos coisa, para apagar nos outros as memórias, mais frescas que um gelado Olá, das bombas atómicas que andámos a detonar à nossa volta, e tudo porque os nossos fluídos corporais resolveram seguir à risca o estupor do timing lunar. Com uma pontualidade britânica, aliás, damn it !