Loolady

thoughts of a Lady almost in her 40s

quarta-feira, março 09, 2005

Primavera à vista!





Fabrizio Modesti,
primavera,
oleo sobre tela,
cm. 296x296
2004

sábado, março 05, 2005

Não há Felicidade no Mundo!

Segue-se um retalho de um texto de Ajaan Brahmavamso, um mestre budista, sobre a felicidade e o sofrimento.
Por falar nisso... O Júlio Machado Vaz estreou-se na blogosfera e curiosamente o seu último post fala da felicidade e do absurdo da vida.


"A Felicidade e o Sofrimento dos Sentidos são apenas Contraste – Isso é Tudo
Faz parte da natureza do ser humano ter sofrimento e felicidade em doses aproximadamente proporcionais. Se neste momento estamos sofrendo, é devido a alguma felicidade que tivemos antes e que foi perdida. A felicidade nada mais é do que o fim do sofrimento, da mesma forma que o sofrimento nada mais é do que o fim da felicidade. Seguimos dando voltas nesse ciclo ao longo das nossas vidas.

Esse fato existencial é a razão pela qual o Buda diz na Primeira Nobre Verdade que os cinco agregados, (khandhas), que constituem um ser humano, são sofrimento. Por sua própria natureza eles são sofrimento. Portanto, se alguém vem para uma entrevista comigo e diz que está enfrentando uma situação horrível, com freqüência tenho vontade de dizer, “É claro, e o que há de errado nisso?” Ajaan Chah costumava dizer que é como alguém que quer ser um soldado e se alista no exército, para depois reclamar que está recebendo tiros e ferimentos. O que ele esperava ao se alistar no exército? Isso é o que acontece. O que esperamos quando nos tornamos seres humanos? Sofrimento.
No mundo, algumas vezes as pessoas fogem do sofrimento, elas tentam se esconder. Perguntamos como elas estão e elas dizem, “Eu estou muito bem hoje”, embora estejam enfrentando um divórcio, psicoterapia, quimioterapia ou coisa parecida. Elas continuam afirmando que “estão muito bem” porque isso é o que se espera que digamos, neste mundo. Isso é o que se espera de nós. Se as pessoas fossem realmente honestas, perguntaríamos como estão e elas responderiam, “Eu me sinto terrível hoje – tenho dor de cabeça, meu estômago dói, tenho todo os tipos de problemas com a família, eu me sinto muito mal.” Se a maioria das pessoas fosse honesta, isso é o que elas diriam. Se elas realmente tivessem consciência do que está acontecendo, isso é o que elas diriam. Não há nada de errado em reconhecer o sofrimento da existência. É ser honesto e ter a coragem de enfrentar a verdade.

Quantas pessoas que conhecemos se sentem felizes – realmente felizes, realmente satisfeitas? Não só as pessoas que dizem estarem felizes, mas as pessoas que realmente estão felizes. As únicas pessoas que encontrei, nesses meus quarenta e oito anos de vida, que eram felizes eram os Iluminados, (Arahants), que tive a boa fortuna de conhecer. Fora esses, ninguém! Quando compreendermos isso, compreenderemos a Primeira Nobre Verdade, que a natureza da vida em si é sofrimento, e compreenderemos isso no seu significado mais profundo.

Nós temos este mundo dos cinco sentidos. Quando o analisamos da maneira que o Buda nos propôs, usamos a sabedoria para perguntar, “Bem, afinal, o que é este mundo? Este mundo é composto da visão, som, sabor, toque, aroma e mente” Quando analisamos desse modo, podemos constatar que aquilo que vemos, ouvimos, saboreamos e tocamos, por sua própria natureza, é parte da dualidade, felicidade e sofrimento. Até mesmo a comida que nos servem aqui, que é tão saborosa, depois de algum tempo pasa a não ser boa o suficiente. Se só tivéssemos aqui comida estragada como tive nos meus primeiros anos como monge, até isso apreciaríamos depois de algum tempo. É somente um contraste e isso é tudo. A felicidade e o sofrimento dos sentidos são apenas um contraste."

Progesterona Rules!

Aqui fica um dos melhores textos que já li sobre o que se passa com as mulheres durante um período do ciclo menstrual:
Está no Blog "Controversa Maresia" em Link no título,

Progesterona Rules!
Uma semana antes, transformamo-nos assim numa espécie de kim jong-Ilzinhas, prestes a despejar as nossas ogivas nucleares shocking pink sobre a humanidade em geral só porque alguém se atreveu a sussurrar que somos curtas de perna. Ficamos ditadoras loucas. Poderosíssimas e insanas. Tão depressa somos capazes de matar o povo que nos rodeia, à fome, como de lhe atirar rebuçados ao pés, por entre soluços de dó que nos turvam os sentidos.
Quando chega o dia propriamente dito, rebolamo-nos que nem croquetes fotofóbicos, afogamo-nos em trifenes num quarto escuro e entregamo-nos às cãibras, essas guinadas simpáticas que mais parecem pontapés certeiros de Deus Nosso Senhor, apostado em relembrar-nos a cada vinte e oito dias que a mancha do pecado original a nós se deve.
Debalde perguntamo-nos por que becos e vielas do corpo da nossa mãezinha terá andado o cabrão do cromossoma Y, para se ter perdido no exacto dia em que fomos concebidas.
Na semana que se segue, a puta da retenção de líquidos faz com que pareçamos aquários ambulantes a despejar devagarinho, com uma fuga algures lá no meio.
Como uma desgraça nunca vem só, ao fim de alguns dias estamos enxutas, espernéticas, energéticas e prontas a acasalar com qualquer macho sem evidentes deficiências físicas, desde o trolha da esquina ao engenheiro Macário Correia, cujas imagens (vagamente desfocadas pelo poder impressionista da progesterona) nos surgem como hipóteses aceitáveis para a multiplicação da espécie humana.
O nosso amigo cio, sempre divertido, esse ganda maluco, tilinta-nos aos ouvidos que o ovolozinho está maduro, que já caiu e que está a chegar, como uma pêra fresquinha numa camioneta de caixa aberta a caminho do mercado abastecedor da região de Lisboa.
De ventas coladas ao chão, farejamos os trilhos deixados pelos pobres machos incautos e saímos atrás deles, tratando de assegurar que estejam à porta quando o supermercado abrir, já com a pêrazinha em exposição, reluzente e chamativa.
Nos poucos dias em que dura este estado de exultação física, a prioridade é apanhá-los a jeito e não ter medo de utilizar drogas, algemas ou mesmo as descrições eróticas do Paulo Coelho, porque para a propagação urgente da espécie vale tudo, até tirar olhos (apêndices que, no caso, se mostram dispensáveis). Quem tem marido, namorado ou equivalente pode saltar a fase da escolha ou do un-dó-li-tá e aterrar logo em cima do dito, assim tipo medalha de ouro na modalidade estafetas.
Chegada a terceira semana (que é também a que antecede a primeira), estabilizamos os níveis e ficamos quase, quase, serenas e é então que devemos aproveitar para pedir perdão ao nosso semelhante, devolver as coisas roubadas e pagar os estragos e as contas de hospital. A ideia é mostrarmo-nos encantadoras e equilibradas, impingindo aos outros o nosso efémero EU cor-de-rosa, feminil, carinhoso e sensato. Há que mimar com empenho e desinteresse os nossos homens, provando-lhes que eles são algo mais para nós do que repositórios gigantes de espermatozóides sub-aproveitados, e acarinhar igualmente os amigos e restante família, tentando convencer todos eles de que, afinal, apesar do que possamos fazer ou dizer numa semana em cada quatro, não queremos nada que eles morram todos por asfixia com um penso higiénico entalado na garganta, até porque gostamos muito deles.
Portanto, a bem dizer, só temos uma semana, mais coisa menos coisa, para apagar nos outros as memórias, mais frescas que um gelado Olá, das bombas atómicas que andámos a detonar à nossa volta, e tudo porque os nossos fluídos corporais resolveram seguir à risca o estupor do timing lunar. Com uma pontualidade britânica, aliás, damn it !

quarta-feira, março 02, 2005

Socorro! Sou Mulher!

"Quando casei, o que de mim se esperava, além da procriação continuada, era que passasse o dia a arrumar a casa, a cozinhar pratos requintados e a vigiar a despensa. Hoje, a estas tarefas vieram juntar-se outras. As mulheres modernas são também supostas ser boas na cama, profissionais competentes e estrelas nos salões. Mas isto é uma utopia. Nem a mais super das supermulheres pode levar as crianças à escola, atender os clientes no escritório, ir à hora do almoço ao cabeleireiro, voltar ao escritório onde a espera sempre um problema urgente, fazer compras num destes modernos supermercados decorados a néon, ler umas páginas de Kant antes de mudar as fraldas do pimpolho, dar um retoque na maquilhagem, telefonar a três "babysitters" antes de arranjar uma, ir ao restaurante jantar com os amigos do marido, discutir a última crise governamental e satisfazer as fantasias sexuais democraticamente difundidas pelos canais de televisão. Estou a falar, note-se, de mulheres socialmente privilegiadas. A vida das pobres é um inferno sem as consolações de que as suas irmãs de sexo, apesar de tudo, usufruem."
Maria Filomena Mónica no Jornal Público de 2 de Março de 2005
(Espero que o link dê acesso ao texto todo)


Este é um dos principais problemas da minha vida. É com grande mágoa que o admito mas é verdade!
Gostava de ver este assunto mais debatido!