Loolady

thoughts of a Lady almost in her 40s

segunda-feira, janeiro 31, 2005

Becoming a Monk!

texto retirado do blog da União Budista Portuguesa, Gota de Orvalho



Os monges Theravada que vamos receber em Abril pertencem ao mosteiro Amaravati, que segue a tradição da Floresta de Ajahn Chah. O responsável pelo mosteiro é Ajahn Sumedho que esperamos que um dia também possa cá vir. Esta palestra dele é muito interessante:

A minha prática é a paciência:

Quando fui pela primeira vez a Wat Pah Pong não conseguia entender a língua, Lao. E nessa altura Ajahn Chah estava no seu máximo, e dava três-quatro desanas (palestras) à noite. Ele não parava, e toda a gente o adorava, era um óptimo orador, com muito humor, e toda a gente adorava ouvi-lo. Mas quando não se compreendia a língua....! Ficava ali sentado a pensar ‘quando é que ele pára, estou a perder o meu tempo.’ E ficava mesmo zangado, a pensar: 'estou farto, vou-me embora'.

Mas não tinha lata para me ir embora, e ficava para ali a pensar: ‘Vou para outro mosteiro. Estou farto disto; não vou continuar com isto’. E então ele olhava para mim - ele tinha o mais radioso dos sorrisos - e dizia: ‘Estás bem?’ E de repente toda a cólera que se tinha acumulado durante essas três horas se desvanecia.

É interessante, não é? Depois de estar ali a torturar-me durante três horas, tudo pode apenas desaparecer. Então fiz o voto de que a minha prática seria a paciência, e que durante todo o tempo eu cultivaria a paciência. Iria a todas as palestras e sentar-me-ia o tempo todo, enquanto o conseguisse fisicamente. Estava determinado a não faltar, a não tentar sair e a praticar a paciência.

E ao fazê-lo comecei a perceber que a oportunidade de ser paciente me ajudou muito. A paciência é uma base muito sólida para a minha percepção e compreensão do Dhamma; sem isso teria vagueado e desviado do rumo, como acontece com tantas pessoas. Muitos ocidentais vieram para Wat Pah Pong e desviaram-se porque não eram pacientes. Não quiseram sentar-se durante as palestras de 3-4 horas e ser pacientes. Queriam ir para lugares onde pudessem obter iluminação súbita e ter o assunto rapidamente resolvido à maneira deles.

Através dos desejos egoístas e das ambições que nos guiam, mesmo no caminho espiritual, não podemos apreciar as coisas como elas são. Quando reflecti e contemplei a minha vida em Wat Pah Pong dei-me conta que na realidade era uma situação excelente: tinha um bom professor, tinha o suficiente para comer, os monges eram bons monges, os laicos eram muitos generosos e gentis e havia encorajamento para a prática do Dhamma. Isto é o melhor que se pode ter, é uma oportunidade maravilhosa. E contudo muitos ocidentais não o viam porque tinham tendência para pensar: ‘Não gosto disto; não quero aquilo; deveria ser doutra maneira’ E ‘O que eu penso é que... o que eu sinto é... Não quero ser incomodado com isto e aquilo.’

Naquela altura eu era um monge muito novo e uma noite Ajahn Chah levou-me a uma festa de aldeia - Acho que Satimanto Bhikkhu estava lá nessa altura. Éramos praticantes muito sérios e não queríamos nenhuma espécie de frivolidade ou tolice. E, claro, ir a uma festa de aldeia era a última coisa que gostaríamos de fazer - pois em todas aquelas aldeias, eles adoram altifalantes. Seja como for, Ajahn Chah levou-me e Satimanto a esta festa, e tivemos de ficar sentados toda a noite com o som roufenho dos altifalantes - e monges a falarem durante toda a noite! Eu só pensava 'Oh, quero voltar à minha gruta - monstros verdes e fantasmas esqueléticos são melhor do que isto tudo.’ Reparei que Satimanto, que era incrivelmente sério, parecia realmente zangado e crítico e muito infeliz. Ficámos ali sentados com um ar miserável. Eu pensava: 'Por que é que Ajahn Chah nos traz para estas coisas?'

Depois comecei a ver por mim. Lembro-me de ter ficado ali sentado a pensar: ‘Aqui estou eu, todo perturbado com isto. Será que é assim tão mau? O que é realmente mau é o que faço com a situação. A minha mente é que é realmente miserável. Altifalantes e barulho, distracções e insónias, posso eu bem com isso, mas é essa coisa horrível na minha cabeça que odeia, que se ressente com tudo e quer ir embora - é essa a verdadeira miséria!'

Nessa noite vi quanta miséria podia criar na minha mente sobre coisas que na verdade conseguia suportar. Lembro-me disso como uma percepção muito clara sobre aquilo que eu achava que era realmente miserável. Ao princípio culpava as pessoas, os altifalantes, o barulho e o desconforto – pensei que isso é que era o problema. Depois percebi que não era; era a minha mente que estava miserável.

Se reflectirmos e contemplarmos o Dhamma, aprendemos com as situações de que menos gostamos - se tivermos a vontade e a paciência para o fazer.

segunda-feira, janeiro 17, 2005

A Inveja em Portugal

A inveja em Portugal não é um sentimento é um sistema,quem o diz é José Gil, um filósofo português recentemente considerado um dos 25 maiores pensadores da actualidade pelo Nouvel Observateur.
Em Portugal não se ouve falar dele.

Se poderem leiam a entrevista que está publicada na Pública de hoje, com este filósofo português.
Era tão bom que todos lessem e meditassem sobre o que se passa neste país!
É uma das reflexões sobre Portugal mais pertinentes e importantes, de todas as que li até agora.

Não está ainda activo o link do Público on line para a entrevista, logo que esteja disponibilizo aqui no blog.

quarta-feira, janeiro 12, 2005

O Mundo e Eu...

Alguns posts do meu blog dão-me vontade de vomitar, é o caso deste último sobre a ditadura das imagens. Fez-me lembrar aquele chefe de empresa da site com inglesa com o mesmo nome...
Também me dá vontade de vomitar o que se passa neste mundo cada vez mais patético e onde ninguém para para ver se o caminho que está a seguir é o que verdadeiramente queria. Parece que estamos a ser empurrados por um monstro que nos põe uma cenoura à frente do nariz...

Aqui ficam mais alguns factos sobre as ajudas às vítimas do Tsunami:

The US government has so far pledged $350m to the victims of the tsunami,
and the UK government £50m ($96m). The US has spent $148 billion on the Iraq
war and the UK £6bn ($11.5bn). The war has been running for 656 days. This
means that the money pledged for the tsunami disaster by the United States
is the equivalent of one and a half day's spending in Iraq. The money the UK
has given equates to five and a half days of our involvement in the war.

sábado, janeiro 08, 2005

O crime perfeito

Para os que não tiveram paciência de ler o texto do Jean Baudrillard que está em link no título do último post, sobre a importância das imagens nas nossas vidas actuais, aqui vai um bocadinho em inglês, que pode abrir o apetite...
Faz bem parar um pouco para reflectir sobre estes assuntos, ajuda-nos a dissipar aquela sensação de - lá passou outro dia e nem dei por isso...
Parar, reduzir a velocidade, olhar, ouvir...
Por falar nisso: viram aquela notícia sobre uns habitantes de umas ilhas na India que se aperceberam do maremoto... Estavam atentos olharam e ouviram... safaram-se!


"Luckily the objects that appear to us have always already disappeared. Happily nothing appears to us in real time, any more than the stars in the night sky. If the speed of light were infinite, all the stars in the universe would be here at once -- in real time -- and the vault of the sky would be of an unbearable incandescence. No more night -- perpetual day. Happily nothing takes place in real time, otherwise we would be subjected, through information, to the light of all events, and the present would be of an unbearable incandescence. Happily we live in the mode of a vital illusion, in the mode of an absence, of an irreality, a non-immediacy of things. Happily all things, the world and others, come to us definitively altered. Happily nothing is instantaneous, nor simultaneous, nor contemporaneous. Happily reality doesn't take place. Thankfully the crime is never perfect." 1993 The perfect Crime