Loolady

thoughts of a Lady almost in her 40s

quarta-feira, abril 21, 2004

Olhos Abertos

O desejo de esboçar novas utopias deve nascer em mim menos da necessidade de contrastar com esse ambiente desencantado do que da responsabilidade de compensar minha própria participação na criação do sentimento de desencanto.
Caetano Veloso
Estava para aqui a navegar e fui parar ao site do Caetano , que é assim como as minhas amigas de que falei no outro post, posso não ouvir durante muito tempo mas quando ouço é como se nunca tivesse parado de ouvir. Mas, a frase que encontrei lá e que trasncrevi tem a ver com um pensamento que me acompanhou todo o dia: como posso aliviar-me da angústia de não poder ou não conseguir agir em defesa do que penso estar certo. O voto já não chega, até o Saramago já reparou nisso, os sindicatos estão vazios, as igrejas também, eu sósinha não consigo estar sempre de olhos fechados!
continuo depois, agora tenho de ir fazer o jantar e tratar da miúda!

Amigas

A Diana é uma mulher muito bonita e inteligente com quem eu tive a sorte de me cruzar, durante alguns meses de trabalho num projecto profissional comum. Agora, raramente estou com ela mas de vez em quando falamos ao telefone e é como se nos tivessemos visto ontem.
É assim que me costumam acontecer as verdadeiras amizades. São poucas, as que tenho vivem longe de mim, mas quando nos vemos ou falamos é como se nunca nos tivessemos separado. Esta realidade encarnou numa planta que uma destas minhas, poucas, amigas me deu. É um fenómeno! Não é um cacto, mas passa semanas sem ser regada e permanece verde e a dar flores como se recebesse água todos os dias.
Outra história: uma amiga, que vive longe, combinou receber-me num fim de semana para podermos estar juntas. Quando cheguei, o marido dela aguardava-me, de olhar grave. O pai da Paula tinha morrido nessa noite. Para a minha amiga foi um milagre eu ter chegado naquele dia. Fiquei com ela, falamos sobre o pai, falamos sobre os filhos, senti que foi importante para ela eu estar ali. Um pormenor com alguma comicidade: a mãe dela, quando me viu entrar na capela exclamou: Oh Paula, a M. é mesmo muito tua amiga ainda não chegaram a maior parte dos familiares e ela já cá está. Nem ela imaginava por onde passavam os caminhos da amizade...

Um xi apertado para as Amigas!Quem me dera poder estar sempre com elas.

segunda-feira, abril 19, 2004

Sevilha
Nós aqui tão perto e tão diferentes....
Uma boa altura para andar pelo sul de Espanha é, sem dúvida, a Páscoa.
As procissões hiper- barrocas, de todos os Senhores dos Passos e que tais, são fervilhantes de cor, dramatismo e latinidade. Assim como aquelas vilas e cidades da Andaluzia e da Catalunha, tão perto de nós e tão diferentes, na energia que transmitem.
Em Sevilha, por exemplo, na quinta-feira a seguir à páscoa, às seis da tarde, já com 27 graus, a cidade estava animadissíma. Adivinhava-se um fim de tarde fervilhante de risos, emoções, e antecipação de uma noite caliente e perfumada de naranjas em flor!
Que cidades !
OLÉ


Hermenegildo Anglada-Camarasa 1872-1959
La noce à Séville, 1906

terça-feira, abril 06, 2004

Abracadabra

Serão as palavas equivalentes a moedas que a sociedade emitiu para a comodidade dos cidadãos, puras conveniências, decretos humanos que os dicionários conservam e consagram?

Será que serviram apenas de meio de expressão dos homens durante o seu longo passado de guerras , ou participam de qualquer maneira no objecto que designam?

Terão qualquer elo obscuro com a realidade exterior? Se não estabelecem este elo a sua moeda de troca corresponde apenas à circulação do grande corpo social, mas se inversamente integram a essência das coisas, o homem tem, pelo verbo, um meio de acção directo e mágico.

São então possíveis: o encantamento, a bruxaria, a oração, o controlo das forças naturais, o exorcismo.

A sociedade moderna afasta-se destes conceitos mágicos; mantém, no entanto, o uso de grandes palavras abstractas para estimular o ânimo do soldado, para inflamar nos cidadãos entusiasmo, ódio, terror, ou para ganhar a sua confiança.

Face a isto o mundo novo desconfia da herança verbal do velho continente e Aimé Cesaire o último dos grandes poetas franceses negro, da Martinica, exclama:

Ao impulso místico dirigido para a comunicação do ser com o além a sociedade contrapõe os modelos pré-determinados dos cultos, os textos redigidos das orações, a pompa orgânica das cerimónias. A sociedade desconfia do enlevo poético e cria, para o conter e disciplinar, regras de versificação modos definidos de expressão, normas de gosto e de estética. Desde Platão, o poeta é banido da cidade a menos que consinta em adoptar uma atitude laudatória, a do cantor da glória estabelecida, a do místico das paradas ou a do propagandista submisso. Para os outros, os castigos, o descrédito, o pão seco, a miséria, a morte.

Pierre Mabille, "O Maravilhoso"
visitem este site de um artista/designer gráfico. Neste momento está uma exposição de trabalhos dele no Japão. (quem poder ir ver...).
Este link é uma homenagem ao meu querido marido que adora os trabalhos do Shag. Vou ver se consigo dar-lhe uma serigrafia do Shag no seu aniversário. Amo-te querido! Shuack...


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segunda-feira, abril 05, 2004

Canções Infantis

Você sabe de onde eu venho?
De uma casinha que eu tenho
Fica dentro de um pomar
É uma casa pequenina
Lá no alto da colina
De onde se ouve, longe, o mar

Entre as palmeiras bizarras
Cantam todas as cigarras
Sob o pó de ouro do sol
Do beiral, vê-se o horizonte
No jardim, canta uma fonte
E, na fonte, um rouxinol.


Do jasmineiro tão branco
Tomba, de leve, no banco
A flor que ninguém colheu
No canteiro, uma rosinha
No curral, uma ovelhinha
Em casa, meu cão e eu

Junto a minha cabeceira
Minha santa padroeira
Que está sempre em seu altar
Cuida de mim, se adoeço
Vela por mim, se adormeço
E me acorda devagar...



É linda esta canção do folclore brasileiro!
Quem me dera viver nesta casinha!